Manuel Adorni apresentou um documento de 78 páginas para responder ao promotor Gerardo Pollicita na investigação sobre suposto enriquecimento ilícito. Seu advogado, Matías Ledesma, entregou o texto para explicar a evolução patrimonial do ex-chefe de Gabinete durante a função pública. A causa continua em fase investigativa.
A defesa responde a vinte pontos considerados pendentes e abrange o período de 10 de dezembro de 2023 a 27 de junho de 2026. Sustenta que os movimentos têm respaldo documental e questiona parte da reconstrução de receitas e despesas. O texto incorpora a versão do investigado, sem encerrar a discussão judicial.
Um dos eixos é a existência de mais de meio milhão de dólares em dinheiro que não constavam originalmente nas declarações. Adorni afirmou que os recursos vieram da venda de bitcoin antes de entrar no governo. A explicação surgiu primeiro em entrevista e depois foi incluída em retificações patrimoniais.
A defesa argumentou que carteiras virtuais nem sempre registram o nome do proprietário e que a chave privada demonstra o controle dos fundos. Adorni anexou uma ata notarial confirmando que possuía essas chaves. Como o documento é de setembro de 2026, a promotoria deverá avaliar seu valor para operações anteriores. A discussão envolve, portanto, não apenas a posse das chaves, mas a possibilidade de vinculá-las a datas, quantidades e vendas específicas.
O escrito também trata de uma diferença patrimonial de 43.068.549 pesos. Os advogados a definiram como lacuna residual razoável e verificável, equivalente a 15,8% das despesas e 18,7% das receitas lícitas computadas. A afirmação será confrontada com a metodologia dos investigadores.
Segundo a apresentação, o capital inicial veio das atividades privadas de Adorni e de sua esposa, Bettina Angeletti, além de fundos familiares. O principal investimento em bitcoin teria sido de cerca de US$199.883 em 2017, em operações em dinheiro entre particulares, seguido de vendas em 2017 e 2018.
Outro capítulo envolve uma casa em Indio Cuá. A defesa afirmou que o imóvel custou US$120 mil e foi parcialmente financiado por hipoteca. Também rejeitou a estimativa de US$245 mil para reformas e apontou US$175 mil, com base em registros contábeis e avaliação arquitetônica.
A investigação deverá comparar as explicações com declarações juradas, movimentos verificáveis, testemunhos e perícias. A resposta cumpre a etapa solicitada, mas não decide a legalidade do patrimônio nem a responsabilidade do ex-funcionário. Novas medidas dependerão da avaliação de Pollicita.