Nacional Política

Milei leva seu apoio ao Brasil e tenta projetar uma onda conservadora regional

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O presidente argentino viajou ao Brasil para apoiar a candidatura presidencial de Flavio Bolsonaro, em um movimento que cruza política externa, alianças ideológicas e disputa regional da direita.

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Javier Milei voltou a colocar sua política externa no terreno das afinidades ideológicas. O presidente argentino viajou ao Brasil para participar da convenção partidária em que Flavio Bolsonaro, senador e filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, busca relançar sua candidatura presidencial diante do governo de Luiz Inácio Lula da Silva.

A presença de um chefe de Estado estrangeiro em uma instância de nomeação partidária não é um gesto menor. Para o campo bolsonarista, ela chega em um momento de desgaste interno, com escândalos, disputas familiares e dificuldades para consolidar uma sucessão política enquanto Jair Bolsonaro cumpre pena em prisão domiciliar por uma trama golpista fracassada.

O movimento também expõe a aposta regional de Milei. A Casa Rosada tenta projetar a vitória argentina de 2023 como parte de uma corrente mais ampla de governos e candidatos de direita na América Latina, com ênfase em segurança, redução do Estado, liberalização econômica e uma relação mais estreita com Washington.

Flavio Bolsonaro chega a essa disputa com uma campanha tensionada. As pesquisas o mostram atrás de Lula em um eventual segundo turno, e sua figura enfrenta questionamentos sobre o financiamento de um projeto audiovisual a respeito da trajetória política de seu pai, além de atritos públicos dentro do próprio ambiente familiar bolsonarista.

O apoio argentino busca oferecer visibilidade externa e ordenar uma base ideológica fragmentada. No entanto, o desafio brasileiro é maior que uma foto de campanha: o filho Bolsonaro precisa herdar o fervor político do sobrenome sem ficar preso a uma polarização que parte do eleitorado brasileiro observa com cansaço.

A viagem de Milei não se esgota no Brasil. A agenda prevista inclui passagens por Peru, Equador e Colômbia, todas associadas a lideranças conservadoras ou de direita. Nesse mapa, a política nacional argentina fica conectada a uma disputa continental: se a nova direita latino-americana conseguirá converter afinidade ideológica em poder eleitoral sustentado.

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