A crise industrial em Tucumán ganhou um novo capítulo com o fechamento definitivo da fábrica da Panpack SA, localizada na cidade de Los Nogales. A empresa, dedicada à produção de tecidos, sacos, fios e fitas de ráfia de polipropileno, informou seus trabalhadores no sábado que estava cessando as operações, deixando cerca de 70 funcionários na rua, a maioria com mais de 20 anos de casa.
O delegado sindical da União dos Trabalhadores e Empregados Plásticos (Uoyep), Juan Catalán, confirmou que cerca de 70 operários e administrativos foram demitidos. "No sábado, a gerência geral de Buenos Aires nos informou que iriam enviar os telegramas e que a fábrica estava fechando. Hoje nos deparamos com a realidade: foi assim", disse. Os telegramas começaram a chegar na segunda-feira, embora parcialmente, notificando o "fechamento definitivo da fábrica" e a "cessação total das operações".
A decisão, segundo a empresa, "deve-se à profunda e sustentada queda nas vendas que a obrigou a entrar em recuperação judicial", que está sendo processada em um Tribunal Nacional Comercial de Buenos Aires. Os funcionários reconheceram que a queda na produção não foi surpreendente. "É verdade que estava em baixa", admitiu Catalán. O declínio começou há pouco mais de dois anos, quando a importação de sacos mais baratos do exterior foi liberada com mais força. "Mercadorias mais baratas começam a entrar e é aí que começa a queda. Não se pode competir com esses preços", afirmou.
A fábrica ficou totalmente paralisada. Os funcionários compareceram ontem de manhã e tentaram entrar no local para se informar sobre a situação, mas não conseguiram porque o portão estava fechado. "Não sobrou ninguém lá dentro. Estamos todos na rua", resumiu Catalán. A empresa, com cerca de 50 anos de história, contava com pessoal de longa experiência. "Há muitas pessoas com mais de 30 e até 40 anos de trabalho. A média de antiguidade é de 20 anos para cima", detalhou o representante sindical.
Em relação às obrigações salariais, os trabalhadores indicaram que a empresa havia concordado em pagar as férias em quatro parcelas desde janeiro, mas ainda há valores pendentes. "Eles ainda não terminaram de nos pagar a terceira parcela. Falta mais uma e a segunda quinzena de fevereiro, que trabalhamos", explicou o delegado sindical. Após retomar o contato com a gerência, foi-lhes garantido que os salários devidos e as indenizações seriam pagos, embora sem prazos fixos.
O caso da Panpack soma-se à crise que diferentes empresas enfrentam em Tucumán, como as têxteis, que paralisaram suas atividades devido ao atual cenário econômico do país. A queda na demanda interna e a abertura das importações atingem duramente um setor que, como o plástico, vê a produção local se tornar inviável diante de preços que não consegue igualar. O sindicato começará a analisar os telegramas de demissão para fazer as devidas apresentações ao Ministério do Trabalho, enquanto os trabalhadores aguardam respostas e o pagamento do que lhes é devido.