O Grupo Dass confirmou o fechamento definitivo de sua fábrica em Eldorado, Misiones, a última unidade que mantinha ativa na Argentina para produzir calçados esportivos ligados a marcas como Nike e Adidas.
A decisão será executada entre 17 e 24 de julho e afetará cerca de 150 trabalhadores. A empresa informou que pagará 100% das indenizações correspondentes, mas o impacto social e trabalhista ficará concentrado em uma cidade com forte dependência do emprego industrial.
A fábrica missioneira funcionava desde 2007 e havia se tornado o último ponto de produção local do grupo. Seu fechamento marca o fim de uma etapa industrial em que Eldorado ocupou lugar relevante na cadeia nacional de calçados esportivos.
O argumento empresarial se apoia em uma reconversão estratégica. Com a abertura das importações e a queda do consumo, a companhia considera mais conveniente abastecer o mercado argentino com produtos acabados vindos do exterior.
A Dass não deixará o país, mas mudará seu perfil operacional. A empresa deixará de fabricar localmente e concentrará sua presença em atividades comerciais, representação, importação e logística.
A decisão integra uma tendência mais ampla que afeta a indústria de calçados e vestuário. A concorrência de produtos importados, a baixa demanda interna e a perda de escala produtiva reduzem a capacidade de sustentar fábricas intensivas em emprego.
Para Misiones, o fechamento representa um golpe no emprego formal e na memória industrial de Eldorado. Também abre uma discussão sobre quais ferramentas podem sustentar a produção local em setores expostos a mudanças bruscas na política comercial.
O caso Dass mostra uma transição crítica: uma empresa que continuará vendendo na Argentina, mas já não a partir da fabricação nacional. A diferença entre produzir e importar fica no centro do debate industrial.